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Wanessa Camargo, “aleluia” e a confusão entre louvor e Leonard Cohen

  • Foto do escritor: Redação
    Redação
  • 5 de out. de 2025
  • 2 min de leitura
Wanessa Camargo no Domingão com Huck
Reprodução

Wanessa Camargo apareceu no Domingão com Huck interpretando um trecho de “Hallelujah”, clássico de Leonard Cohen, nos bastidores da Dança dos Famosos. A cena parecia um momento de louvor, mas a música, na verdade, fala menos sobre Deus e mais sobre a condição humana — com suas dores, amores e pequenas tragédias cotidianas.

 

Um “aleluia” de bastidor que virou assunto

 

O episódio aconteceu quando o Grupo B da competição perdeu Gracyanne Barbosa, afastada por uma lesão. Em tom de brincadeira e emoção, Wanessa soltou o famoso “aleluia, aleluia” — e, de repente, o que era apenas um lamento coletivo se transformou em algo que soava quase como um culto improvisado na Globo.

 

Enquanto o público reagia com naturalidade, nas redes sociais não faltaram comentários sobre o curioso descompasso entre a intenção original da música e sua nova leitura televisiva.

 

Cohen e o “Hallelujah” que não era uma oração

 

Escrita por Leonard Cohen, cantor e poeta canadense de origem judaica (que mais tarde se tornaria monge budista), “Hallelujah” nunca foi uma canção religiosa. Ela mistura referências bíblicas — como Davi e Sansão — a metáforas de desejo, perda e transcendência. O “aleluia” de Cohen é mais um suspiro de aceitação da vida do que um ato de fé.

 

Com o passar dos anos, versões marcantes de Jeff Buckley e Rufus Wainwright transformaram a música em um hino melancólico e universal, presente em filmes, séries e cerimônias de despedida. Nenhuma delas, porém, com intenção de culto.

 

Do templo ao palco da TV: o “Hallelujah” brasileiro

 

No Brasil, “Hallelujah” ganhou roupagem gospel e se tornou quase um hino de louvor, regravado por artistas cristãos e cantado em igrejas, muitas vezes com nova letra e sentido espiritual. A apropriação cultural é tamanha que, para boa parte do público, a música parece ter nascido nos templos — e não nos versos existencialistas de Cohen.

 

O “aleluia” que continua ecoando

 

E assim seguimos: a canção que Cohen escreveu sobre amor e perda agora serve para marcar o azar de um grupo de dançarinos na TV aberta. Wanessa cantou, o público aplaudiu e, no fim, “Hallelujah” segue sendo o mesmo — um aleluia da vida, da dor e da ironia que existe em tentar encontrar beleza até no caos.

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